quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
O munturo
O
munturo é um mundo,
uma
coisa feita pra reciclar.
Não
é só lixo, algo sujo, imundo,
é
talvez só o tempo suspenso no ar.
Ouvi
e vi o munturo na casa de minha vó
e
confesso, não achava sentido algum...
Era
literalmente uma montanha de coisas,
totalmente
amontoadas, tão desorganizadas
que
no final das contas eu nem imaginava
que
aquilo tudo em pó se transformava...
Meu
avô um dia me disse que alí era o descarte,
mas
que sempre alguém buscava sua arte...
Era
lá a solução dos problemas do dia-a-dia,
dos
afazeres que o criar dependia.
E
a vida, meus caros, não é só a vivência.
Ela
depende do reinventar... E só pra rimar,
eu
que nem gosto de enfeitar, a vida é reciclar.
Reciclar
as ideias, o teu lixo, a tua vida.
Disso
você depende, todo santo dia.
E
nem me venha dizer que é história de biólogo,
desses
tal ecólogo que sempre te dizem
o
que fazer, o que viver, porque senão...
Na
verdade, o lixo ao qual me refiro é o do resto.
Não
o resto de alma mal vivida,
do
esgoto da estética descabida
da
roupa na loja vendida, sem nenhum propósito
sem
a boa lógica e com destino certo:
um
munturo sem função de reciclar. De aproveitar.
Hoje
olho pro meu quintal e ouço as vozes dos que já foram.
Deles,
só avô materno ainda me resta. E ainda bem que sua voz ecoa
tão
forte que nem preciso estar desvairando pra viver a verdade.
Nem
preciso olhar pro céu e ver dragões, coelhos
tudo
que minha mente vê e otras cositas más...
E
enfim, o munturo se fez em mim.
Sou
a parte do todo, o pó das estrelas
e
o brilho pretérido delas. Mas antes disso,
bem
antes do fim, quero ser a parte da água,
parte
do maior munturo que chamam de mar.
Continuo
a ser o fio, o pano que chamam rio.
Um
munturo a navegar. E eu sou um mundo.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Navegando no rio.
Como
a água que me limpa
O
rio também limpa. Bem mais que isso.
Recicla
todas as impurezas
Que
vão rumo ao mar.
Todo
amor que sinto, eu sinto reciclar
como
água que desce pro mar...
Como
barco que quer navegar,
como
tiro que quer acertar...
Quem
me dera ter um rio...
Bem
no fundo do meu quintal.
Talvez
eu sofreria menos,
ou
quem sabe escorreria mais.
Certamente
não o mataria
como
fazem uns e outros,
eu
e tantos, e muitos mais
Quero
mesmo é ser rio,
do
tamanho que for,
bem
assim como eu sou.
Quantos
barcos tenho que navegar?
De
quantos sonhos tenho que me alimentar?
Ponto
final.
O
que me alimenta é o rio
mas,
porque ele escorre
não
preciso viver por um fio
O
que sei é que um barco é um sonho
e
eu nunca mais pensarei no abandono.
Navego
acordado entre o verde-anil do meu rincão;
mergulho
firme na certeza da eterna paixão.
Sem olhar pra trás.
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Mais uma de lua.
Ontem
eu olhei pra lua
e
estava cego, mas tão cego
que
enxergava ela no reflexo.
Era
outra lua a me vigiar na rua...
E
hoje estou cego, mas tão cego
que
ao olhar pra lua, na rua,
ao
invés de uma, vejo duas.
Talvez
nem seja nada já que estou cego...
Quem
me dera ser astronauta.
Pra
usar todo o espaço, sem pausa
pra
me apequenar em outra pausa
de
um retrato infinito e despausado
Quem
me dera voar numa espaçonave.
Gravitar
sem culpa, desfrutar da uva
que
é viver a contemplar o todo.
Viver
pra sempre mudando o tom.
Loucura
é viver sem loucura...
Sem
deliciar o doce da fruta,
sem
remar nesse mar amargo de candura.
É
viver sem um rio de ternura.
A
mesma lua se desfarça...
Quando
ela se mostra aqui
pode
estar escondida aí, pra ti...
Nunca
reflete o que ha aqui, dentro de mim.
E
dentre tantos devaneios,
eu
que nunca receio,
tive
medo de amar.
É
como aprender a soletrar...
E
agora a lua iluminou o rio,
o
meu rio de diamantes
que
hoje está por um fio.
Sim,
ele é hoje o meu desafio.
Hoje
eu brigo por (e com) ele,
pra
escorrer direito em meu peito,
pra
mostrar de fato pra quê veio.
Pra
sentir bem fundo, bem no seio...
E
por fim, a lua ainda me encara:
formando
dragões no céu,
entre
o meu vinho e o véu,
na
certeza de uma luz que, sim, se acaba.
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